WELCOME TO NAZA
Ainda a noite morava em Espinho quando o carro arrancou. Escuro fechado, cafés demasiado cedo e aquela energia silenciosa de quem vai atrás de algo maior do que um simples destino. Eu o Steffan Matthers e o Alex três corpos meio acordados, mas os olhos já completamente despertos pela ideia de ver a Nazaré a fazer aquilo que só a Nazaré sabe fazer.
Porque há ondas e depois há a Nazaré.
A estrada fez-se longa, entre playlists aleatórias, conversas partidas pelo sono e aquela antecipação infantil que raramente aparece na vida adulta. O tipo de entusiasmo que não se explica só se sente. Principalmente quando sabes que vais encontrar montanhas líquidas a rebentar contra pedra, vento e coragem.
E depois, finalmente, o Atlântico. Gigante. Cru. Sem pedir licença.
A Nazaré estava viva, vestida de sol improvável para Fevereiro, céu aberto e um oceano a lembrar toda a gente do seu lugar no mundo. Surfistas minúsculos perante paredes de água absurdas. Jetskis riscavam o horizonte. Gente parada, em silêncio, porque às vezes nem a malta consegue competir com o tamanho do momento.
Mais surf. Mais vento na cara. Mais sal preso à lente. Mais aquela obsessão impossível de explicar a quem nunca ficou parado demasiado tempo a olhar para o mar. Foi um daqueles dias bons. Simples na fórmula: amigos certos, ondas gigantes, luz perfeita e quilómetros suficientes para parecer aventura. Daqueles dias que cansam o corpo inteiro, mas arrumam qualquer confusão na cabeça.
E pelo meio, inevitavelmente, fotografia.
Porque há momentos que pedem memória, mas há outros que exigem ser congelados. A energia da Nazaré não se documenta, captura-se. Entre espuma, expressões perdidas, detalhes roubados ao caos e a escala absurda entre homem e oceano, foi mais um daqueles dias onde a fotografia deixa de parecer trabalho e passa a ser apenas vício.
(Para quem quiser mergulhar mais nesse universo visual, explorem no Instagram do Monstro.)
A despedida fez-se como manda a tradição: cansados, esfomeados e enfiados num tasquinho típico da Nazaré, com uma sopa quente que parecia resolver problemas que nem sabíamos ter. O corpo a agradecer. O dia lentamente a pousar.
A viagem de regresso? Digamos apenas que houve um certo tipo de boa disposição particularmente persistente dentro do carro. Risos fáceis. Conversas profundas que talvez não fossem assim tão profundas. O mundo ligeiramente mais leve. Há viagens que acabam quando chegas a casa. Esta demorou um bocadinho mais.
Surf. Sol. Amigos.
E a Nazaré, como sempre, demasiado grande para caber numa fotografia mas ainda assim, tentámos.

